Sessão aberta do GEC com o filme “Nise: O Coração da Loucura”
O Grupo de Encontros Culturais (GEC) do NETI-UNAPI realizou, no dia 5 de outubro, às 9h, uma sessão aberta ao público com o filme “Nise: O Coração da Loucura”, no Auditório da Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Após a exibição, o público participou de um debate mediado pela psicóloga Sonia Maria Rodrigues de Magalhães.
O filme escolhido pelo grupo foi lançado em 2015 e dirigido por Roberto Berliner. A obra retrata um momento específico na vida da médica psiquiatra Nise da Silveira, seu retorno à profissão após oito anos de afastamento. Ao retornar ao Hospital Engenho de Dentro (RJ) é confrontada com “tratamentos” cruéis como o eletrochoque, a lobotomia e uma dura realidade de descaso para com os pacientes. Designada ao setor de terapia ocupacional, a médica passa a operar transformações significativas através da arte.
Integrante do GEC há mais de dez anos, Sonia destacou o interesse dos participantes pela temática e a presença de depoimentos pessoais durante a conversa. Durante sua apresentação, Sonia também trouxe informações sobre o Museu de Imagens do Inconsciente, criado a partir do trabalho desenvolvido por Nise da Silveira. O espaço é dedicado à preservação e ao estudo das produções realizadas nos ateliês de pintura e modelagem da instituição onde a médica atuou.
Sonia mostrou imagens do acervo e explicou que o museu reúne cerca de 350 mil obras produzidas por pessoas com transtornos mentais. Entre os trabalhos estão pinturas, desenhos, esculturas, textos e poemas. O acervo tornou-se referência para pesquisadores e para o público interessado na relação entre arte, saúde mental e expressão do inconsciente.
Outro aspecto abordado durante a apresentação foi a história do Hospício de Pedro II, primeira instituição psiquiátrica do Brasil, criado por decreto imperial em 18 de julho de 1841. A instituição, localizada no Rio de Janeiro, posteriormente passou por transformações e atualmente abriga instalações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Entre os relatos compartilhados pelas participantes, esteve a reflexão sobre a evolução dos tratamentos destinados às pessoas com transtornos mentais e sobre a importância do olhar humanista de Nise. As participantes destacaram como a médica se aproximou dos pacientes por meio da arte, utilizando pincéis, tintas e argila como instrumentos de expressão e reabilitação. As produções artísticas passaram, assim, a contribuir para que os pacientes fossem compreendidos, valorizados e vistos para além dos diagnósticos. Outro ponto levantado foi a coragem necessária para questionar paradigmas científicos estabelecidos.
Contatos do IntegraNETI:
.jpeg)

Comentários
Postar um comentário