Nora foi a primeira escolhida para ser ministrante voluntária. Moradora da região da UFSC, Nora já conhecia o NETI-UNAPI, mas demorou a se inscrever em uma atividade. Foi por incentivo da filha que decidiu procurar cursos que despertassem seu interesse. Como gostava de dançar, matriculou-se em dança-terapia e na aquarela, no primeiro semestre de 2024.
Embora nunca tivesse estudado aquarela formalmente, Nora já tinha familiaridade com tintas e trabalhos manuais. Na infância, em Buenos Aires na Argentina, chegou a ganhar uma grande caixa de aquarelas, com muitas opções de cores, que guarda na memória até hoje. Seu pai tinha materiais de tinta a óleo, e sua irmã, que gostava de criar e pintar objetos de madeira, desenvolveu um trabalho artesanal com peças pintadas com tinta acrílica. Durante alguns anos, as duas trabalharam juntas nessa produção, conciliando a atividade com suas profissões.
Formada em Psicologia, Nora construiu sua trajetória profissional na Argentina, onde trabalhou, entre outros lugares, em um hospital, no serviço de psiquiatria. Em 2002, mudou-se para o Brasil com a família e precisou reorganizar a vida profissional e familiar. Com o tempo, outras atividades criativas também encontraram espaço em sua rotina. Durante a pandemia, dedicou-se ao crochê.
O contato com a aquarela, portanto, não representou uma descoberta inteiramente distante de sua história, mas uma oportunidade de retomar o interesse pelas cores e pela criação. Depois de frequentar dois semestres como aluna, Nora recebeu o convite de Inés para colaborar nas aulas, no primeiro semestre de 2025. A proposta foi recebida com naturalidade, pois o voluntariado já fazia parte de sua maneira de compreender o trabalho e a troca de conhecimentos. Durante sua formação em Psicologia, ela também havia passado por experiências profissionais voluntárias, que contribuíram para sua trajetória.
Para Nora, ensinar não significa apenas demonstrar uma técnica, é também incentivar as participantes a experimentarem, tentarem novamente e descobrirem suas próprias possibilidades. Mesmo sem se considerar professora de desenho, ela encontra maneiras de orientar as alunas e ajudá-las a avançar em seus trabalhos. “Eu gosto de transmitir o que eu aprendi e que as pessoas que estão participando do curso aproveitem isso”, conta.
A psicóloga também reconhece na aquarela uma oportunidade de pausa diante das exigências cotidianas. Sem desconsiderar os problemas que cada pessoa enfrenta fora da sala de aula, Nora valoriza o ambiente amigável e alegre que se forma durante os encontros. Para ela, mexer com tinta, água e cores permite aliviar as tensões do dia a dia e estar presente em uma atividade prazerosa. "Aqui é um espaço que permite que você relaxe e se conecte com bons sentimentos. Sou muito grata por poder participar disso", diz.
A história de Adriane com o NETI-UNAPI começou em 2023, quando ingressou no curso de cerâmica. Foi nessa experiência que se aproximou mais das atividades artísticas, um universo de que sempre gostou, mas que, por conta da profissão de bancária, nem sempre pôde explorar. Ao longo do tempo, também participou de outras atividades oferecidas pelo Núcleo, ampliando suas experiências e descobrindo novas possibilidades de aprendizado.
Catarinense do oeste do estado, Adriane é formada em Administração e trabalhou durante 27 anos no setor bancário. Ao longo da carreira, porém, nunca deixou de lado o interesse por trabalhos manuais. Bordado e crochê já faziam parte de suas atividades, mas foi a sugestão da cunhada, que também é aquarelista, que a incentivou a experimentar a pintura em aquarela.
Em 2025, Adriane ingressou na oficina “Aquarela para Iniciantes”, sem experiência anterior com a técnica. O primeiro contato foi suficiente para despertar um entusiasmo que cresceu rapidamente. Encantada com as possibilidades da pintura, passou a pesquisar referências e assistir a conteúdos sobre aquarela na internet, dedicando-se a conhecer melhor os materiais e as técnicas. "Aqui eu me encontrei com as artes. Eu me apaixonei pela aquarela", afirma.
Depois de dois semestres como aluna, recebeu o convite de Inés para auxiliar nas aulas. Aceitar a proposta foi, para Adriane, uma decisão natural. O ensino sempre esteve presente em sua trajetória, muito antes de chegar ao NETI-UNAPI. Ao longo da vida profissional, ela já havia ministrado aulas de Estatística e de Teoria Geral da Administração, além de ter trabalhado como professora de inglês. No banco, também atuou durante 15 anos na área de educação corporativa. “Eu sempre ensinei tudo que eu aprendi. Sempre gostei de ensinar, eu gosto de ensinar o que sei, mesmo que seja pouco. Para mim, ensinar é um prazer”, afirma.
Ela recorda, com carinho, os momentos em que uma participante se desafia a realizar um desenho que considera difícil e, com orientação e paciência, consegue avançar até ficar satisfeita com o resultado. Ver esse encantamento acontecer é uma das partes mais gratificantes de sua atuação voluntária. “Eu gosto de ver pessoa aprender, evoluir e se encantar com aquilo que eu já sou encantada. É muito bacana”, explica.
Para Adriane, a aquarela representa tranquilidade, paz e alegria. A possibilidade de criar algo bonito e acompanhar a transformação de uma folha em branco em uma pintura é, por si só, uma experiência prazerosa. Como voluntária, ela também encontra satisfação em ajudar outras pessoas a descobrirem essa mesma alegria.
Apesar de terem chegado à aquarela por caminhos diferentes, Nora e Adriane encontraram na atividade um espaço para cultivar a criatividade, aprender continuamente e estabelecer vínculos com outras pessoas.
Para Nora, a pintura oferece uma pausa na rotina e a possibilidade de se conectar com as cores, com as colegas e consigo mesma. Para Adriane, representa tranquilidade e alegria, além da satisfação de acompanhar o desenvolvimento de quem está começando. Nas duas experiências, a aquarela vai além do domínio de uma técnica artística. Ela envolve paciência, atenção, experimentação e a liberdade de aprender no próprio ritmo.
Essa perspectiva também se reflete no trabalho das voluntárias. Ao lado de Inés, Nora e Adriane ajudam a construir um ambiente em que as participantes podem fazer perguntas, experimentar possibilidades, superar dificuldades e descobrir novas habilidades sem a pressão de alcançar resultados perfeitos. Cada pequena conquista tem seu valor, seja aprender a controlar a água no papel, combinar cores ou finalmente realizar um desenho que parecia impossível.
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