A EJA funciona no NETI-UNAPI desde 2009, a partir de uma parceria entre a Prefeitura de Florianópolis e a UFSC.Aos 72 anos, Geci Terezinha Aguirre dos Santos se prepara para prestar o vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para o Curso de História. Aos 13 anos, ela precisou deixar a escola para trabalhar como doméstica em sua cidade natal, Ijuí, no Rio Grande do Sul.
Mais de 40 anos depois, em 2023, retornou a formação escolar por meio da Edução de Jovens e Adultos (EJA), oferecida no NETI-UNAPI (Universidade Aberta para a pessoa idosa). Após concluir o Ensino Fundamental no programa, ela ingressou no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), onde finalizou o Ensino Médio em 2026.
Geci Terezinha Aguirre dos Santos se prepara para prestar o vestibular da UFSC para o Curso de História
Geci conta que já imaginava como seria estudar em uma instituição de ensino superior e que a possibilidade se tornou mais concreta depois que conheceu o campus da UFSC acompanhada da filha. "Eu falava pra minha filha o quanto o campus da Universidade é lindo e como eu queria estudar num lugar assim", diz.
A estudante foi aprovada no Curso de Geografia com a nota obtida no Enem de 2025. Mesmo com a aprovação, decidiu continuar os estudos para disputar uma vaga no Curso de História, área de seu interesse. Para se preparar para o vestibular, estuda em casa e concentra parte da preparação na redação, disciplina com a qual afirma ter maior afinidade.
Durante a passagem pela EJA, Geci também participou de atividades de pesquisa, apresentações e debates. Segundo ela, foi nesse período que percebeu ter facilidade para falar em público. O contato com diferentes temas ampliou ainda o interesse por História e por questões sociais.
Abdelaziz Bahsain cursa Antropologia na UFSC
Aos 58 anos, o marroquino Abdelaziz Bahsain cursa o primeiro ano de Antropologia na UFSC, depois de retomar os estudos pela EJA do NETI-UNAPI.
Abdelaziz viveu por cerca de 30 anos entre a Espanha e Portugal, onde desenvolveu trabalhos relacionados à pesquisa e à arte. Em 2010, mudou-se para o Brasil, mas ainda não tinha a certificação da educação básica necessária para prosseguir com a formação acadêmica. Para regularizar a escolaridade, procurou a EJA do NETI-UNAPI, onde concluiu o Ensino Fundamental antes de dar continuidade aos estudos.
O interesse pela relação entre arte, cultura e sociedade levou Abdelaziz a escolher o curso de Antropologia. Artista e pesquisador, ele se interessa por temas relacionados à história da humanidade, às populações indígenas e à formação das sociedades. Na UFSC, encontrou na graduação uma oportunidade de aprofundar esses estudos e ampliar as pesquisas que já desenvolvia na área da arte.
Além da graduação, Abdelaziz mantém, ao lado da esposa, um negócio de gastronomia marroquina. O casal prepara pratos tradicionais e participa de eventos gastronômicos em Florianópolis. Eles também mantêm uma barraca de comida marroquina na feira realizada às quartas-feiras na UFSC.
A EJA, que atende pessoas de 50 anos ou mais, funciona no NETI-UNAPI desde 2009, a partir de uma parceria entre a Prefeitura de Florianópolis e a UFSC. O programa oferece formação gratuita.
Regina Helena Seabra é professora da rede municipal de Florianópolis desde 2002. Formada em Letras com habilitação em Inglês pela UFSC, passou a atuar na EJA em 2008 e, desde 2010, trabalha no programa instalado no NETI-UNAPI.
Para Regina, a localização da EJA dentro da universidade é um dos fatores que contribuem para a permanência dos estudantes. Ela afirma que muitos adultos que interromperam os estudos não se identificam com escolas voltadas principalmente a crianças e adolescentes. A professora considera que a EJA cumpre uma função de garantir o acesso à educação básica para pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos anteriormente. Segundo ela, o direito à educação permanece ao longo da vida, independentemente do momento em que o estudante decide retornar à escola.
Para Geci, a oferta da EJA no NETI-UNAPI também ajuda a aproximar os estudantes da Universidade e a mostrar que o ensino superior pode fazer parte de seus projetos, independentemente da idade. “Eu amo estar dentro da UFSC. É na universidade que eu estou aprendendo e onde eu vou estudar. Aqui a gente respira sabedoria”, afirma.
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