Afinal, ainda existem notícias verdadeiras? Roda de Conversa discutiu desinformação

Matéria da jornalista e aluna do Clube de Leitura em Voz Alta do NETI-UNAPI, Aline Cubas, sobre a Roda de Conversa que abordou o tema das fake news.

Roda de conversa  “Não dá pra acreditar em mais nada!" cm o jornalista César Valente

Afinal, ainda existem notícias verdadeiras? Foi esse o questionamento que levou quase 40 pessoas à roda de conversa “Não dá pra acreditar em mais nada!”, realizada na tarde desta quarta-feira (23), pelo CENETI. O convidado foi o jornalista César Valente, profissional com experiência em jornais, rádios e TVs e ex-professor da UFSC, onde integrou a comissão que criou o Curso de Jornalismo da Universidade.

De maneira leve e até divertida, César começou a conversa lembrando que mentira, farsa e fofoca não são novidades. A informação, segundo ele, é uma necessidade básica do ser humano e faz parte da nossa natureza querer saber o que está acontecendo e que pode nos afetar.

Mas, diante de tanta informação circulando, como saber o que é falso e o que é verdadeiro? Um dos caminhos apresentados pelo jornalista foi o trabalho das agências de checagem de notícias, que se dedicam a verificar informações que circulam na imprensa e nas redes sociais. César explicou como esse trabalho é feito e apresentou algumas agências que podem ser consultadas por quem deseja conferir uma informação antes de acreditar nela ou repassá-la.

Ele também falou sobre um comportamento bastante comum, que é a tendência de acreditar mais facilmente em informações que confirmam aquilo que já pensamos ou acreditamos. É o chamado viés de confirmação. “Isso é exatamente o que eu penso, então deve ser verdade”, explicou César, ao mostrar como funciona esse mecanismo.

A conversa também passou pelas transformações no jornalismo nas últimas décadas. César falou sobre a redução das redações e das equipes de jornalistas, ao mesmo tempo em que aumentou enormemente a quantidade de conteúdos produzidos e disseminados, especialmente com a expansão dos meios digitais, das redes sociais e de aplicativos como o whatsApp. Assim, ficou cada vez mais fácil produzir e compartilhar informação, mas também conteúdos falsos ou distorcidos.

Como jornalista, levantei a questão do chamado ceticismo radical, quando a pessoa passa a questionar a veracidade de absolutamente tudo e adota a ideia de que nenhuma informação ou fonte é confiável. “A ironia disso é que, ao se questionar todas as fontes, a gente se torna presa fácil para teorias da conspiração, tipo ‘toda mídia é comprada’, ‘toda empresa está nos enganando’”, comentei.

A temática chamou a atenção inclusive de pessoas que não fazem parte do NETI. Foi o caso de Antônio Odilon Macedo, que soube do encontro pelo Facebook e decidiu participar. Segundo ele, a roda de conversa foi muito proveitosa, inclusive nas partes do conteúdo que já conhecia, pela maneira como o jornalista organizou e apresentou as informações. “A forma como ele sistematizou, isso ajuda a compreensão. A gente não para para analisar. Estamos tão acostumados a dizer que tudo é fake news, tudo é mentira, mas é bom ter uma compreensão mais sistemática.”

Entre os alunos do NETI, a discussão também despertou reflexões sobre a responsabilidade diante das informações que recebemos e compartilhamos. “Cada vez mais, precisamos parar e refletir sobre o que recebemos e repassamos para os outros”, afirmou Rosângela Rabelo Vieira, farmacêutica e aluna do NETI.

Cristina Pellicciari, também aluna do NETI, destacou a forma de condução da conversa. “Ele é um excelente jornalista. Gosto da didática dele. Gostei bastante do assunto.”





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