Aos ministrantes, com carinho: Elsa Casalett

 Elsa Casallet dançando com um vestido azul durante a apresentação do grupo Renascer na Sepex. Foto: Maria Eduarda Vieira

“Eu sempre digo que o corpo fala. Se expressa. O corpo tem emoções, pensamentos, memórias. E tem que aprender a entender tudo isso”, afirma Elsa Casallet, ministrante das atividades de Dança e Movimento e Hatha Yoga no Núcleo de Estudos da Terceira Idade - Universidade Aberta para a Terceira Idade (NETI-UNAPI). É a partir da escuta do corpo e da crença de que cada pessoa carrega uma “dança interna” que Elsa foi escolhida para protagonizar a edição desta semana de “Aos ministrantes, com carinho”.

Nascida em Buenos Aires, Elsa também viveu em outras regiões da Argentina, como Bariloche e Mendoza. Em 1998, aos 46 anos, decidiu deixar o país e recomeçar a vida em Florianópolis. A mudança foi motivada pelas dificuldades econômicas e pela instabilidade vivida na Argentina naquele período. Desde então, construiu uma trajetória marcada pela dança, pelo cuidado com o corpo, pela arte e pelo desejo de promover o equilíbrio entre as dimensões física, emocional, mental e espiritual.

A história com o NETI-UNAPI

Há 14 anos, Elsa chegou ao NETI-UNAPI como aluna da Oficina de Avós. Como era professora de dança-terapia, ela aproveitou o encerramento do curso para apresentar uma coreografia. A apresentação chamou a atenção da então coordenadora do Núcleo, que a convidou a ministrar uma oficina para a Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)


Apresentação do grupo Renascer na Sepex de 2023.2. Foto: Maria Eduarda Vieira

O que começou como uma atividade pontual, no entanto, se transformou no Curso de Dança e Movimento. Dois anos depois, Elsa passou a ministrar também a oficina de Yoga. Ao longo desse percurso, aprimorou seu trabalho a partir da convivência com as alunas e da observação das necessidades de cada grupo.

Nas aulas de Dança e Movimento, ela trabalha com diferentes estilos e músicas de diversos países, explorando danças populares brasileiras, espanholas, argentinas, russas, árabes, gregas e de outras culturas. Mais do que ensinar passos, seu trabalho procura despertar a expressão individual de cada participante. Para Elsa, cada corpo possui uma linguagem própria, construída por emoções, pensamentos e memórias.

Por isso, suas aulas não seguem necessariamente um formato fixo. Elsa observa o grupo e procura compreender suas necessidades. Os exercícios começam com movimentos suaves, alongamentos, massagens e caminhadas, preparando o corpo para atividades mais intensas. Não é necessário ter experiência em dança para participar. A proposta é que cada pessoa encontre sua própria maneira de se movimentar e se expressar. “Todas as pessoas têm um dançarino dentro de si. E esse dançarino é um artista. Todos somos artistas. Só temos que descobrir”, afirma.

Em suas aulas, a dança também pode nascer de palavras, sentimentos e poesias. Elsa convida, por exemplo, as alunas a escolherem uma palavra e expressá-la por meio do corpo. O objetivo é permitir que aquilo que muitas vezes não encontra espaço nas palavras possa ganhar outra forma de expressão.

Na oficina de Hatha Yoga, Elsa mantém uma estrutura mais definida, mas sem deixar de respeitar os limites individuais. As aulas começam com a preparação do corpo e dão atenção especial à respiração. Para ela, não se trata de exigir que as alunas permaneçam por longos períodos em posturas difíceis, mas de construir, gradualmente, um caminho de desenvolvimento.

Uma trajetória construída entre arte, movimento e recomeços

O vínculo de Elsa com a dança começou ainda na adolescência, aos 13 anos, quando ingressou na Escola Nacional de Dança de Buenos Aires, onde se formou como professora. Como a mãe trabalhava o dia todo, Elsa precisava de uma instituição em período integral, e a Escola de Dança era uma das poucas que ofereciam esse formato na época.

Durante a formação, foi incentivada a se aproximar da dança contemporânea e da expressão corporal, caminhos que acabariam influenciando profundamente sua atuação profissional. Além da formação em dança, Elsa estudou dança-terapia e massoterapia e formou-se como técnica em administração. A astrologia também faz parte de sua trajetória e é uma área pela qual se interessa há pelo menos 30 anos.

O grupo Renascer

A trajetória de Elsa no NETI-UNAPI também deu origem ao grupo Renascer, formado por participantes das próprias oficinas de dança. A iniciativa nasceu da vontade de levar ao público um pouco do trabalho desenvolvido em sala de aula e, ao mesmo tempo, proporcionar às participantes a oportunidade de ocupar o palco e se expressar por meio da arte.

Grupo Renascer, coordenado por Elsa Casallet. Foto: Maria Eduarda Vieira

Atualmente, o grupo conta com sete integrantes e realiza apresentações em diferentes espaços e eventos. As performances utilizam elementos cênicos, como velas e castanholas, além de figurinos e coreografias especialmente preparados para cada apresentação.

Para Elsa, o trabalho com a dança também é uma forma de incentivar pessoas idosas, especialmente mulheres, a ocuparem o palco, explorarem a criatividade e vivenciarem a própria feminilidade por meio da produção artística. “Não é porque a mulher tem 60 anos ou mais que precisa deixar de viver sua feminilidade e de se expressar. E a melhor maneira de se expressar é através da arte”, afirma.

Além das apresentações, Elsa acredita que as oficinas têm um papel importante na criação de vínculos entre as participantes. Para ela, o NETI-UNAPI pode ser um espaço de encontro, troca e construção de novas amizades. “Cada oficina, cada aula, é um aprendizado. Sinto que com as aulas cresço emocionalmente e intelectualmente, e também espiritualmente, por causa da troca com as alunas”, afirma a professora.

Com uma trajetória que atravessa países, profissões, culturas e diferentes formas de expressão artística, Elsa Casellet encontrou no NETI-UNAPI um espaço para continuar ensinando, aprendendo e, principalmente, dançando.

O Grupo Renascer foi criado por Elsa Casallet para ser voltado para apresentações. Foto: Maria Eduarda Vieira

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