Aos ministrantes, com carinho: Lusinete France de Lima

Leitores, a edição de "Aos ministrantes, com carinho" desta semana é com Lusinete France de Lima, 63 anos, professora voluntária das turmas de Italiano Conversação: Parla che ti fa bene! e Benvenuti tutti quanti: italiano para iniciantes (continuação). Lusinete aprendeu italiano por amor, não por influência familiar. A paixão pela língua e pelo trabalho com pessoas idosas a levaram a ser professora no NETI-UNAPI há dezenove anos, sendo quinze anos como ministrante voluntária.  

Antes de se graduar em Letras/Italiano pela UFSC, Lusinete foi farmacêutica por 14 anos, até que em 2004, devido a um acidente de trabalho, achou melhor trocar de carreira. O que a atraiu para a língua italiana foi a música: "Eu não tive avós que falavam italiano. Mas quando era nova, eu sempre escutava minha irmã mais velha ouvindo músicas em italiano, e eu achava lindo mesmo sem saber qual era a língua" conta.

No início da graduação, diz ter ficado apavorada: "Tinha 42 anos, me sentia uma vovó. Criei muitos empecilhos na minha cabeça devido aos estigmas do idadismo." reflete a ministrante. Mesmo sendo mais velha que o resto da turma, foi muito acolhida pelos alunos e pelos professores. 

No primeiro dia de aula, a professora perguntou a motivação de cada um para fazer o curso, todos os alunos responderam que possuíam origem italiana. Lusinete explicou que não tinha descendência, mas sim paixão e curiosidade pelo idioma.

"A professora disse que a minha paixão ia me levar longe. E que eu ia ser uma das melhores professoras de italiano, porque a minha paixão ia me mover". E de fato aconteceu. São 20 anos de carreira.

Aproximação com o público idoso a levou ao NETI-UNAPI

Na área da saúde, trabalhava com o público idoso. Por isso, em 2006, optou por fazer o estágio obrigatório da graduação no NETI-UNAPI. Ao terminar o estágio, um aluno perguntou: "Tá e agora? O que fazemos? Vocês vêm aqui, nos ensinam o básico e depois vão embora. Ano que vem é a mesma coisa, e assim nunca avançamos." Essa fala fez uma lâmpada acender na cabeça de Lusinete. Com apoio dos alunos, da Coordenadora Ângela Alvarez e de um professor da graduação, conseguiram registrar o projeto para atuar no NETI-UNAPI como bolsista por quatro anos. 

"Eu queria muito trabalhar com esse público, dar sequência ao aprendizado e continuar na sala de aula. O NETI-UNAPI me deu essa oportunidade. Por onde eu vou, eu falo do NETI. Eu tenho tanta paixão pelo NETI... é uma das iniciativas mais bonitas que a Universidade já fez." relata. 

Terminada a bolsa de quatro anos, decidiu continuar no NETI-UNAPI: "Eu me formei, saí da UFSC mas não saí do NETI. Não saí por paixão, por acreditar no projeto. Para mim, todo e qualquer indivíduo, em qualquer fase da sua vida, tem condições de aprender o que quiser." 

Para Lusinete, voluntariado é, acima de tudo, crença. Trabalha como professora particular de italiano e segue orgulhosa e acreditando no potencial do NETI-UNAPI. Mora longe, mas faz questão de uma vez por semana pegar vários ônibus para ver os alunos dispostos a aprender. A voluntária diz que os alunos ensinam tanto quanto o professor. Alguns alunos estão com a professora há 9 anos consecutivos.

As aulas de conversação de italiano e italiano para iniciantes acontecem sempre às terças-feiras.

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