"Sempre fui assim": a participação política está no sangue de Graciela Baigorria


Nesta semana, o blog integraNETI apresenta Maria Graciela Baigorria, presidente do CENETI, entidade que representa os estudantes do NETI-UNAPI. Graciela conta ao blog um pouco de sua vida e de sua paixão pela militância política e o movimento estudantil, que a levaram a participar do Centro de Estudantes do NETI-UNAPI por oito anos até que, finalmente, em 2026, assumiu a presidência. 
 
Nascida em Buenos Aires, Argentina, Graciela, 73, mora em Florianópolis há 33 anos. Antes de se mudar definitivamente para a cidade, vinha todos os anos para as férias de verão na praia da Lagoinha do Norte até que, em 1992, decidiu ficar com suas duas filhas de três e cinco anos, o marido e a mãe. 

No ano seguinte à sua chegada na Ilha, fez um curso de cerâmica e se descobriu artesã. Seu principal sustento, desde então, foi a cerâmica. Teve um ateliê em casa e comercializava suas peças em lojas de artesanato de toda a ilha. Até que, em 2023, decidiu vender o ateliê e se aposentar. Mesmo assim, continuou trabalhando para a pessoa que comprou o ateliê alguns dias por semana para ensinar os funcionários a usarem os equipamentos.

Sua história no NETI-UNAPI iniciou em 2012, trazida por uma amiga que já frequentava. Começou como aluna do curso de Monitor para Ação Gerontológica, um curso já extinto no NETI-UNAPI, que tinha duração de dois anos. O objetivo do  curso era promover o engajamento do idoso na sociedade, com participação social e política, ensinando sobre o que as ciências humanas tinham a dizer sobre o envelhecimento. Como a maior parte das pessoas que frequentava o NETI-UNAPI, mesmo depois de formada, não quis se afastar e seguiu fazendo outros cursos na instituição. O primeiro foi o Cine debate em Gerontologia, que deu origem ao atual Grupo de Encontros Culturais (GEC).

A cada ano que passava no NETI, ia participando de mais cursos e atividades. Em 2019, entrou como representante no CENETI, participou como Diretora Cultural em duas gestões, e como Diretora Financeira em outra. Em 2025, aceitou concorrer ao cargo de Presidente, pois era a pessoa com mais experiência no Centro de Estudantes.

Mas seu espírito de liderança não é de agora. Graciela foi militante do movimento estudantil na Universidade de Buenos Aires. “Eu estudava ciências contábeis, entrei em 1973, e tive que parar de estudar por conta da ditadura militar anos depois. Mas foi uma época muito politizada, estudando, acabei formando consciência política”, conta. A ditadura militar argentina durou entre 1976 até 1983 e foi a forma de repressão mais violenta da história do país. Para Graciela, a ditadura foi uma coisa muito brusca, de um dia pro outro os militares tomaram o poder. Um momento sangrento na história do país, em que sequestravam alunos mais politizados. "Tive que deixar de estudar, mudar meus costumes, até a forma de vestir. Todo momento alguém ia preso e precisávamos nos mudar para não causar suspeitas. Posso dizer que sou sobrevivente da ditadura." No Brasil, sempre atuou ativamente nas Associações de Pais e Mestres das escolas de suas filhas, conta para ilustrar o fato de que é uma pessoa engajada. 

Graciela mantém o pensamento crítico até os dias de hoje, e pensa que é de extrema importância as pessoas idosas terem consciência sobre seu lugar na sociedade e sobre as políticas públicas para poder reivindicar direitos. Dentro do CENETI, isso é possível: “Penso como pessoa idosa e também como presidente que é de extrema importância ocupar espaços públicos, nos sentirmos protagonistas. Estamos engajados com a sociedade, e o CENETI é a síntese de tudo o que o NETI-UNAPI tem como objetivo.”

O CENETI, como representação estudantil, tem a responsabilidade de ajudar a desenvolver uma consciência critica dos idosos, ir mais além do senso comum. Ter a possibilidade de defender os direitos como uma participação social. "Infelizmente, muitas pessoas que se aposentam tem a ideia de não querer mais compromissos, mas não devia ser assim. Porque mesmo sendo idosos, colaboramos com a sociedade para gerações futuras, vale a pena participar mais ativamente", afirma Graciela.

O Centro de Estudantes do NETI-UNAPI tem como objetivo representar os alunos incentivando a integração social, com eventos, palestras, passeios e encontros. Também defende a Universidade pública e gratuita de qualidade, estimula a participação política dos alunos e dá visibilidade às pessoas idosas na comunidade universitária.

“Quando uma atividade dá certo é uma satisfação muito grande, pois vemos que estamos no caminho certo e que várias pessoas gostam das atividades. É muito esforço, e nos vemos recompensados por isso.”, opina a Presidente.

Atualmente, além de presidente do CENETI, Graciela é aluna do curso de Envelhecimento e Longevidade e participa da equipe do GEC.

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Comentários

  1. Linda a história de Graciela, escrita de forma excelente pela Iara. O Centro de Estudantes do NETI-CENETI é referência e está de Parabéns!
    Vanda Araújo

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    1. Obrigada, Vanda! Estamos trabalhando bastante para fazer jus ao teu legado no integraNETI!

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