“A música sempre me tocou. É algo que me preenche”. Wilda da Silveira, do grupo de teatro, voltou a tocar violão depois de aposentada
Wilda da Silveira, 65 anos, é apaixonada por música e integrante do Grupo de Teatro Estamos Aí. Há dois anos, em 2024, sua filha a fez conhecer o NETI-UNAPI, por entender que Wilda precisava ter contato com pessoas da mesma idade e fazer alguma atividade de integração. Olhando o quadro de aulas para aquele semestre, Wilda se interessou pelo teatro, porque se achava muito tímida e “travada” em algumas situações. “O teatro ajudou muito para perder a timidez e relaxar quando fosse me apresentar, até mesmo nas rodas de choro que participo”, conta.
Ao fim da Oficina de Teatro, a diretora e professora responsável pelo Grupo de Teatro Estamos Aí, Dione de Freitas, a chamou para integrar o grupo. Sua participação é puramente sonora, em que traz o fundo musical para uma peça, além de ajudar na sonoplastia das apresentações. “Em 2024 fomos para São Paulo, onde fiz minha estreia como musicista no teatro. Apresentamos a peça Cartas em Cartas, pelo Grupo de Teatro Estamos Aí, no Festival Terceiro Sinal. Foi uma experiência fantástica”, acrescenta.
Para Wilda, a experiência de treinar mais e aprofundar os estudos no violão, a fez adquirir mais velocidade para acelerar não só o aprendizado com o instrumento, mas também cognitivo: “eu achava que não ia mais conseguir aprender algo novo por conta da minha idade, que estava com o raciocínio mais lento, mas quis me superar e ir quebrar os paradigmas. Tem pessoas mais novas que tocam comigo que possuem as mesmas dificuldades que eu, por exemplo”.
“A música sempre me tocou. É algo que me preenche, e eu queria sentir isso depois que me aposentasse para não ficar sem fazer nada em casa”, completa. Wilda é mais um exemplo que nunca é tarde para começar, assim como Geni, a corredora que vocês leram anteriormente. Pensando em todos os benefícios da música para a parte cognitiva do nosso cérebro, por que não aprender algo novo? Lembre-se sempre do ditado: devagar vamos longe.
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| Wilda (à direita) na apresentação "De carta em carta", em São Paulo. |
Uma longa trajetória
Wilda, já aposentada, se formou em Engenharia Agronômica, pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em 1983. Trabalhou muitos anos como funcionária pública no Ministério da Agricultura fiscalizando a Vigilância Agropecuária Internacional e na área de defesa agropecuária. Nesses 35 anos de atuação, morou em Natal, Belém e Amapá.
Escolheu ser engenheira agrônoma porque nas férias escolares, quando era nova, a família ia se aventurar nas áreas rurais do Pará e sempre gostava de prestar atenção nos cultivos de pequenos produtores. A profissão é ampla, voltada para sustentabilidade, produção e desenvolvimento do agronegócio.
A música entrou na sua vida quando era criança. Na escola, participava sempre dos eventos e atividades de música, cantando. Como forma de hobby, aprendeu a tocar violão ainda na época da faculdade, e após a formação em engenharia, seguiu tocando com os amigos em barzinhos, ou em casa, mas nada profissional até entrar no NETI-UNAPI.
Wilda se aposentou em 2019 e, no ano seguinte, veio para Florianópolis a pedido dos filhos, que já haviam vindo para a cidade por motivos profissionais: a filha médica e atriz, e o filho arquiteto. Mesmo aposentada, ainda trabalhou com mentoria para concursos por três anos, ao mesmo tempo que começou a se aprofundar mais nos estudos de música. Atualmente, além do teatro, integra também alguns grupos pela cidade: Choro Mulheril, Espaço Cultural Wagner Segura e Academia do Choro, em que pratica os gêneros choro e samba .
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Wilda (terceira da esquerda à direita, com o violão aos pés) com o grupo Academia do Choro, composto por professoras da UFSC. |
Música é saúde
A música fortalece o cérebro e traz benefícios para todas as idades. Tocar um instrumento é um exercício para o cérebro, fortalece o córtex motor primário e secundário, córtex auditivo, gânglios de base e o encéfalo. Em entrevista para o site do médico Dráuzio Varella, André Frazão, coordenador do Laboratório de Ciências da Cognição do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) conta que essa conectividade ampla de um cérebro em treinamento é chamado de “reserva cognitiva”, que compensa os efeitos do envelhecimento e de doenças como Parkinson e Alzheimer:
“Um cérebro hiperconectado permite muito mais resiliência, pois tem muito mais formas de resolver problemas do que apenas a solução mais simples. Aprender música, em qualquer época da vida, é um desafio interessante do ponto de vista neurofisiológico, no qual o cérebro conectado te dá uma robustez protetiva para o sistema ao longo do processo de envelhecimento saudável”, afirma o especialista.
Bônus: indicação do filme "Pacarrete" (2019).
Baseado em fatos reais, o drama brasileiro conta sobre uma bailarina clássica aposentada, que vive no interior do Ceará. Sonhadora, ela deseja apresentar um espetáculo de dança na festa de 200 anos da cidade, mas enfrenta desafios.
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