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| Eduardo Meditsch (à direita), dirigindo aluna da Oficina de Rádio Teatro |
Na edição de "Aos ministrantes, com carinho" desta semana, entrevistamos o ministrante da Oficina de Radioteatro e jornalista Eduardo Meditsch, de 70 anos. Meditsch é professor e pesquisador aposentado da UFSC, mestre em Ciências da Comunicação na área de Jornalismo e Editoração, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, e PhD pela School of Journalism and Media at University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos.
Chegada ao NETI-UNAPI
Meditsch ingressou no NETI-UNAPI como aluno da Oficina de Teatro, coordenada por Dione de Freitas, no segundo semestre de 2025. Sua motivação para participar da Oficina era ocupar a mente, conhecer pessoas novas e se divertir, pois havia encerrado sua atuação como professor aposentado voluntário na pós-graduação do curso de Jornalismo da UFSC.
A Oficina de Teatro o inspirou a criar e ministrar a Oficina de Radioteatro. Devido à longa experiência profissional, conseguiu implementar as aulas no NETI-UNAPI, contando com incentivo de vários colegas. "É muito legal ser voluntário. A gente se sente útil, vemos que estamos fazendo coisas que são boas para outras pessoas. Além do aprendizado, o convívio e a diversão são muito importantes na idade em que estamos", Meditsch complementa sua fala dizendo que ao mesmo tempo que se encerram os ciclos profissionais, é importante conhecer e possibilitar atividades diferentes para pessoas idosas.
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| A Oficina de Radioteatro já realizou diversas apresentações ao longo do semestre |
Uma vida permeada por ensinamentos e aventuras
Meditsch, quando adolescente, acreditava que cursaria medicina. No entanto, por conta de uma atividade realizada durante o ensino médio passou a se interessar pela área da comunicação: o jovem Meditsch juntou um grupo de amigos para criar uma campanha publicitária contra a violência no trânsito voltada para o público jovem, ofereceu para um jornal impresso da época, que se interessou pelo material e levou a campanha adiante.
A década de 60 foi marcada por muitos conflitos. Em função do golpe de Estado no Brasil em 1964, Meditsch participava de movimentos contra a ditadura, o que acabou também empurrando-o para o jornalismo. "Grande parte da juventude se sentia muito reprimida, e isso nos fazia lutar pela liberdade", conta Meditsch.
Em 1975, entrou para a faculdade de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Logo no primeiro ano da graduação, conseguiu uma vaga para trabalhar na Rádio Continental como redator. Sua carreira, atuando em rádios, durou oito anos, entre elas Rádio Gaúcha, Rádio Guaíba, Folha da Tarde, TV Guaíba, Rádio Jornal do Brasil e TV Educativa/RJ, além de colaborar na área crítica do Jornal Público, em uma rádio de Lisboa.
Após se formar na faculdade em 1979, trabalhou dois anos no Rio de Janeiro, entre 1980 e 1982. Na época, atuava na TV Educativa, e pensava em trocar de emprego. "Eu virei professor por acaso, estava querendo trocar de emprego e fiquei sabendo por amigos que tinha um concurso para ser professor do curso de Jornalismo na UFSC", relata.
Iniciou sua carreira docente na UFSC, em 1982, contribuindo para que o curso se tornasse excelência acadêmica na área nas décadas seguintes e torno-se um dos mais importantes pesquisadores do Brasil. Entre 2000 e 2007, ajudou a criar o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJOR). Sua forte presença na docência e pesquisa científica resultou em receber, em 1980, o prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos, o principal e mais tradicional prêmio da imprensa brasileira. Além disso, recebeu os prêmios Luiz Beltrão de Ciência da Comunicação (2003 e 2019), Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo (2015), e Personalidade do Ano no Ensino de Jornalismo (2021). Meditsch se aposentou em 2016, após 36 anos de atuação na docência.
Sua carreira no jornalismo o levou a muitas aventuras diferentes e uma vida gratificante. Entre suas experiências, o professor conta que até já foi preso. "Uma vez, quando fui cobrir a volta do Leonel Brizola para o Brasil, meu avião se perdeu no caminho e acabei sendo preso por espionagem na Argentina".
Para o NETI-UNAPI e para os estudantes, ter Eduardo Meditsch como ministrante de atividade sócio-educativa representa uma oportunidade ímpar de aprendizado, convivência e diversão.


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